Terapia familiar e casal
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Conceito de família

O que é família? A resposta vem de pronto, mas logo após os primeiros pensamentos o cenário revela sua complexidade e os pensamentos iniciais se mostram insuficientes. As certezas se esmaecem diante da importância que amigos, parentes, madrastas, pais de amigos, mães de amigos, padrastos, empregados, empregadas, professoras, professores... tiveram durante o desenvolvimento. Estas pessoas, que compartilharam com as figuras paternas o cotidiano, alteraram o econômico automatismo que compõe a vida, colocam em xeque verdades que de tão arraigadas atravessaram de forma incólume muitas gerações. Os conhecimentos e práticas introduzidos por estas significativas figuras criam dissonâncias nos modos de pensar-agir e ao abalarem disputam o direito de produzirem a verdade.

O que se denomina família, que amiúde se esmaece perante as assertivas sobre sua delimitação, transita pelas fronteiras entre o Estado e o privado, o biológico e o cultural e do bem estar físico e mental. Da família no qual o pater era o decalque do próprio Deus, o detentor sobre a vida e a morte do famulus, ao pai que é democrático em suas atribuições e relações, integrando um complexo grupo denominado família pós-moderna, inclusive inserindo as idéias de famílias homossexuais, recompostas e monoparentais ao invés de promiscuidade, lar destruído, concubinas, prostitutas e filhos bastardos. Pode-se dizer que muito mudou na concepção de família ao longo dos últimos vinte séculos.

Um exemplar atual de família, habitante das cosmópolis, uma que seja o tipo médio que reúna e sintetize todas as características observáveis nesta pós-modernidade, não existe. Pelo simples fato de como explica Canguilhem que esse tipo médio é puramente imaginário, um constructo teórico no qual se realiza uma série de atribuições de contorno e no centro destes âmbitos denomina-se exemplar médio. O tipo médio é talvez que reúna a menor quantidade de características, pois as atribuições pós-modernas reúnem características díspares como a casa e a construção de um projeto de vida, a facilidade para ruptura dos casamentos, a falta de referências, etc. E que de muito dista dos padrões que antecederam como o pátrio poder, os contratos de casamento, a opressão as mulheres...

A idéia edípica de sentimento de culpa pelos desejos sexuais, dos filhos para com os pais, trouxe uma inversão nas relações e os filhos passaram a ser considerados como indivíduos merecedores de atenção.

Referências
ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. 2 ed., Rio de Janeiro: LTC, 1981.
BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
FOUCAULT,M. História da sexualidade, 1, 2 e 3. Rio de Janeiro: Graal, 1985.
GIDDENS,A. A transformação da intimidade. São Paulo: UNESP, 1993.
HUNT, Lynn. A invenção da pornografia: obscenidade e as origens da modernidade. São Paulo: Hedra, 1999.


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